Bioacumulação de metais pesados: Um perigo invisível no meio ambiente e na nossa saúde.

Por: Airton Noé A. da Silveira – Eng. ambiental

24/01/26

A bioacumulação é um processo pelo qual substâncias químicas, como por exemplo, os metais pesados, se acumulam progressivamente nos tecidos de organismos vivos em concentrações maiores do que aquelas presentes no meio ambiente. 
Essas substâncias podem entrar nos organismos de forma direta no meio (água, solo, ar) ou de forma indireta, quando acontece através da alimentação, e à medida que sobem na cadeia alimentar, podem atingir níveis ainda mais elevados nos predadores superiores, inclusive nos humanos.
A bioacumulação de metais pesados deve ser tratada como um desafio ambiental global, em função de que esses elementos persistem nos ecossistemas e circulam através das cadeias alimentares, prejudicando a saúde de animais e humanos. A compreensão e debate sobre este tema, é um processo importantíssimo para orientar políticas públicas, práticas agrícolas sustentáveis, tratamento de efluentes e regulamentações industriais.
  • Bioacumulação de metais pesados

    Um risco silencioso para o meio ambiente e para a saúde humana.

  • Metais pesados não desaparecem

    Eles permanecem no solo, na água e no ar por décadas.

  • De onde vem a contaminação?

    Mineração, indústrias, agricultura intensiva e efluentes sem tratamento.

  • O ambiente absorve primeiro

    Plantas, solos e organismos aquáticos acumulam metais lentamente.

  • Animais acumulam ao longo da vida

    Peixes e outros animais concentram metais nos tecidos.

  • Quanto mais alto na cadeia alimentar…

    Maior a concentração de metais no organismo.

  • E os humanos?

    Ingerimos metais por água, alimentos e ar contaminados.

  • Os efeitos não são imediatos

    Metais pesados afetam o sistema nervoso, rins, fígado e hormônios.

  • Bioacumulação é um problema global

    Impacta a biodiversidade e a saúde pública.

  • Proteger o ambiente é proteger a vida

    Menos poluição hoje, mais saúde amanhã.

    “Metais pesados” é o termo mais amplamente reconhecido para o grande grupo de elementos químicos com densidade atômica acima de 6 g/cm³. Eles são frequentemente chamados de “elementos-traço” porque suas concentrações nas rochas matrizes da crosta terrestre são inferiores a 100 mg/kg. Todos os metais pesados ​​são tóxicos para os organismos vivos quando presentes em excesso, mas alguns deles são essenciais para o crescimento normal em pequenas concentrações. Por isso, às vezes, são chamados de “elementos potencialmente tóxicos”. Os metais pesados ​​podem ser constituintes importantes de organismos vivos e de muitas substâncias não vivas no meio ambiente.
    Fonte: Livro Zaikov, G. E., Weisfeld, L. I., Lisitsyn, E. M. & Bekuzarova, S. A. (Eds.) — Heavy Metals and Other Pollutants in the Environment: Biological Aspects
    O que são metais pesados e por que são um problema?
    Metais pesados como cádmio (Cd), chumbo (Pb), mercúrio (Hg), arsênio (As), cromo (Cr) e outros elementos metálicos podem persistir no ambiente por longos períodos e não são degradados. Estes metais podem ser liberados em grandes quantidades em função de atividades humanas, como:
    • Mineração, siderurgia e fundições;
    • Indústrias químicas e eletroeletrônicas;
    • Agricultura intensiva (fertilizantes e pesticidas contendo metais) — que deposita esses elementos no solo e na água;
    • Efluentes domésticos e urbanos sem tratamento adequado.
    Bioacumulação em animais
    Esses metais pesados, quando expostos no meio ambiente, podem se ligar a partículas suspensas, sedimentos, vegetação e microrganismos, que depois podem ser absorvidos por meio da alimentação de animais aquáticos e terrestres.
    Nos ambientes aquáticos, por exemplo, pequenos organismos como o plâncton, absorvem os metais diretamente da água contaminada, e posteriormente,  peixes e invertebrados que se alimentam desses organismos tendem a acumular ainda mais concentrações de metais. 
    Com o passar do tempo, esses metais vão se concentrando nos tecidos,  especialmente em órgãos como fígado e músculos, e esse fator colabora com efeitos tóxicos, incluindo alterações fisiológicas e imunológicas.
    Em animais terrestres, a absorção de metais ocorre por meio do consumo de plantas contaminadas, solo e água. O problema tende a se destacar nas espécies de topo da cadeia alimentar, onde a concentração de metais pode ser muitas vezes maior do que nos níveis tróficos inferiores, em um processo relacionado à biomagnificação, conceito íntimo à bioacumulação.
    Efeitos nos seres humanos
    Nos seres humanos, a bioacumulação de metais pesados ocorre principalmente em função da exposição direta ao ambiente contaminado, e por meio da alimentação. Resumindo:
    • Consumo de água e alimentos contaminados, especialmente peixes e frutos do mar;
    • Inalação de ar poluído com partículas metálicas;
    • Contato crônico com solo contaminado em áreas urbanas ou agrícolas.

    A bioacumulação de metais pesados pode levar a efeitos tóxicos graves, incluindo:
    • Alterações neurológicas e cognitivas (ex.: mercúrio e chumbo);
    • Danos renais e hepáticos (ex.: cádmio);
    • Distúrbios hormonais e câncer (ex.: arsênio e cromo);

    Interferência nos mecanismos antioxidantes celulares, provocando estresse oxidativo.
    O perigo invisível relativo aos acúmulos de metais pesados no meio ambiente, é uma questão que pode persistir por longos períodos de tempo, de forma silenciosa, porém ainda proporcionando grandes riscos aos seres vivos.  
    Em 5 de novembro de 2015, em Mariana, Minas Gerais – Brasil, houve um desastre ambiental em função do rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração, que era controlada pela Samarco Mineração S.A., que além de destruir o ambiente, poluir o Rio Doce e as comunidades atingidas, deixou um rastro enorme de contaminação.
    Estudos realizados quatro anos após o desastre de Mariana apontaram que peixes como lambaris e cascudos ainda apresentavam níveis alarmantes de contaminação. Em uma análise, foi detectado o acúmulo de 13 metais pesados, incluindo alumínio, chumbo, cádmio e cromo.
    Além de detectar metais pesados em peixes, como no exemplo anteriormente citado, na Paraíba, pesquisas com pequenos mamíferos (como o gambá-de-orelha-branca e camundongos), também já revelaram altos índices de bioacumulação de metais como chumbo, níquel, cromo e cádmio.
    Nestes casos de pequenos mamíferos, as áreas de monocultura de cana-de-açúcar, com o uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes, são apontadas como a principal causa.

    Fontes: 

    Livro: Zaikov, G. E., Weisfeld, L. I., Lisitsyn, E. M. & Bekuzarova, S. A. (Eds.) — Heavy Metals and Other Pollutants in the Environment: Biological Aspects

    www.sciencedirect.com

    https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/17458?locale=pt_BR

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    2 comentários em “Bioacumulação de metais pesados: Um perigo invisível no meio ambiente e na nossa saúde.”

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